Como precificar serviços SMM sem trabalhar de graça
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A maioria das lojas SMM define preço olhando o concorrente. Funciona até o dia em que o concorrente está errado, ou até o provedor reajustar e você não perceber que passou a vender no prejuízo.
Preço bom sai de uma conta. Comparar com o mercado é o passo dois, não o um.
Comece pelo custo real de um pedido
Pegue o serviço que você mais vende e monte a linha inteira:
custo do provedor + taxa de pagamento + taxa da plataforma = custo do pedido
Digamos que 1.000 seguidores custem R$ 18 no provedor. Vendendo a R$ 69,90 com PIX (1%) e uma taxa de plataforma de 4%:
- Provedor: R$ 18,00
- PIX: R$ 0,70
- Plataforma: R$ 2,80
- Custo total: R$ 21,50
Sobra R$ 48,40. Esse é o número que paga anúncio, reembolso, o seu tempo e o lucro. Não é lucro ainda.
Quanto cobrar acima do custo
Multiplicador de 3x a 4x sobre o custo do provedor é a faixa que funciona nesse mercado. Abaixo de 2,5x, uma única reposição ou um chargeback come a margem do pedido. Acima de 5x, você perde para quem cobra menos, a não ser que tenha marca ou atendimento que justifique.
O exemplo acima está em 3,9x. É saudável.
Atenção ao serviço barato. Visualizações custam centavos por mil, e um markup de 4x sobre centavos continua sendo centavos. Nesses casos, o que decide é o valor mínimo do pedido: se o ticket não paga o trabalho de atender aquele cliente, não venda avulso, venda em pacote maior.
Pacotes vendem melhor que preço por mil
"R$ 0,07 por seguidor" obriga o cliente a fazer conta. "1.000 seguidores por R$ 69,90" ele entende em um segundo.
Monte uma escada de pacotes por serviço, do pequeno, que serve de compra de teste, ao grande. Até seis degraus bastam; mais que isso só alonga a lista. E cobre o mesmo preço por mil em todos eles:
| Pacote | Preço | Por mil |
|---|---|---|
| 100 | R$ 6,99 | R$ 69,90 |
| 500 | R$ 34,95 | R$ 69,90 |
| 1.000 | R$ 69,90 | R$ 69,90 |
| 5.000 | R$ 349,50 | R$ 69,90 |
Sem desconto por volume. O provedor cobra por mil, e esse custo não cai quando o pedido cresce. Desconto por volume tira margem justamente do pedido maior, o que mais pesa no seu saldo. Com o preço proporcional, a margem é a mesma em todo pacote, e o cliente que compara dois pacotes encontra a mesma conta nos dois.
Sem final ,90. Ajustar cada pacote para terminar em ,90 é arredondar para cima em uns e para baixo em outros, e cada arredondamento mexe na margem daquele pacote. O preço por mil pode terminar como quiser, inclusive em ,90, como no exemplo acima: o que não se faz é ajustar pacote por pacote. O preço proporcional dá centavos quebrados, como R$ 34,95, e tudo bem: o cliente compara o tamanho e o preço do pacote, não os centavos.
Na Impulso Social Cloud, ao trazer um serviço do catálogo do provedor, a loja já sugere essa escada, com até seis pacotes no mesmo preço por mil, e você ajusta o que quiser antes de publicar.
O erro de copiar o preço do concorrente
Você não sabe o custo dele. Pode ser que use um provedor mais barato, que esteja queimando caixa para captar cliente, ou que esteja no prejuízo sem saber. Copiar preço é herdar a conta de outra pessoa.
Use o mercado para saber se você está dentro da faixa, não para definir o número. Se o seu preço calculado ficar muito acima da média, o problema está no provedor ou nas taxas, e é lá que você mexe.
Revise quando o custo mudar
Provedor reajusta sem avisar. Se você não confere, descobre pela margem no fim do mês.
Duas defesas simples: confira o custo dos seus cinco serviços principais uma vez por mês, e desconfie de qualquer serviço cuja margem caia abaixo de 30% depois das taxas. Plataformas melhores fazem essa conferência sozinhas e avisam ou despublicam o serviço que virou prejuízo, o que evita vender no vermelho por semanas sem perceber.
Resumo prático
- Calcule o custo cheio do pedido, com as três taxas.
- Multiplique o custo do provedor por 3x a 4x.
- Monte até seis pacotes com o mesmo preço por mil, sem desconto por volume.
- Compare com o mercado só para conferir se você está na faixa.
- Revise o custo todo mês.